A Construção do Mundo Atual

1〉〉 UM SÉCULO DE TRANSFORMAÇÕES


 

Na história da humanidade são comuns as designações genérias que simbolizam momentos pelo qual uma sociedade passou. Por exemplo, os séculos XV, XVI e XVII são períodos associados às grandes navegações e a descoberta de novos espaços pelos conquistadores europeus. Já os séculos XVIII e XIX correspondem as frases relacionadas a revolução industrial , processo histórico que resultou nas alterações profundas, gerando, no período considerado, uma nova ordenação nas relações sociais, políticas e econômicas.

Se buscássemos fazer o mesmo para o século XX, poderíamos posteriormente denomina-lo o século das transformações geopolíticas, pois o que se viu ao longo do últimos cem anos foram mudanças profundas na diplomacia internacional e alterações políticas que redefiniram as relações de influência entre países, pois durante séculos esse domínio foi exercido de forma homogênica pela Europa, mais particularmente pelos britânicos. De lá pra cá, novas nações surgiram e cada vez mais se observa que as fronteiras nacionais transformaram-se em elementos mais flexíveis, moldando-se aos interesses das novas esferas de poder mundial.

No entanto, é possível identificar, ao longo do século XX e nesse começo do novo milênio, períodos históricos com aspectos políticos, econômicos e sociais que apresentam fortes vínculos, ou seja, possuem características comuns de organização. Esses períodos são denominados ordens mundiais. Entre 1945 e 1989, ocorreu a Ordem da Gerra Fria, quando a maior parte dos fatos geopolíticos se relaciona com as disputas entre os países capitalistas e socialistas. A partir da década de 1990, começou a vigorar aquela que chamamos de Nova Ordem Mundial, caracterizada, entre outros aspectos, pela intensificação da globalização.

 

2〉〉 GUERRA FRIA


 

Logo após a segunda Guerra Mundial (1939-1945), duas nações iniciaram disputas geopolíticas, visando a assumir a liderança econômica e política no planeta: os Estados Unidos (EUA), líder do bloco dos países capitalistas, e a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), país hegemônico entre as nações socialistas. Nascia assim a chamada Ordem Bipolar, perdurando no planeta até o inicio dos anos de 1990.

Cada uma dessas superpotências pretendia influencias política e economicamente o maior número possível de países, e uma das estratégias para alcançar  esse objetivo foi a criação de organizações militares que defendiam seus interesses geopolíticos. Surgem assim duas grandes organizações militares do mundo pós-guerra: a Organização do tratado do Atlântico Norte (Otan), liderada pelos Estados Unidos, e o pacto de Varsóvia, liderado pela União soviética.

 Durante a Ordem Bipolar, a maioria dos países europeus estabeleceu alianças 
com os EUA ou com a URSS. No mapa é possível notar que vários países do leste 
europeu faziam parte do pacto de Varsóvia, enquanto na Europa ocidental 
imperava a influência militar da Otan.
  


A Otan e o Pacto de Varsóvia

Nos primeiros anos da Guerra fria, a rivalidade entre norte-americanos e soviéticos foi traduzida principalmente pela formação de alianças militares. A primeira delas foi a Otan, criada em 1949 pelos EUA, em conjunto com o Canadá e a maioria das noções capitalistas europeias. O seu objetivo primordial era estabelecer uma aliança militar que defenderia qualquer um de seus membros, caso fossem atacados ou ocupados por outra nação. Com sua criação, bases militares de organização foram instaladas na Europa, posicionadas estrategicamente ao redor da URSS e seus aliados, deixando evidente que o grande inimigo da Otan era o chamado bloco socialista. Na sua criação, os países-membros estabeleceram a decisão de “salvaguardar a liberdade, a herança comum e a civilização  dos seus povos, fundadas nos princípios da democracia, da liberdade individual e do império da lei”.

Em 1955, poucos anos após a criação da Otan, a URSS e seus aliados criaram o pacto de Varsóvia, aliança militar que procura defender as nações socialistas da influencia e/ou possíveis ataques militares perpetrados pelas nações capitalistas. Portanto essas alianças militares evidenciam uma das principais características da Guerra Fria, a chamada bipolaridade, estabelecendo uma nítida divisão militar na Europa por meio da cristalização dos blocos capitalistas e socialistas.

Com o fim da Guerra Fria em 1989, o pacto de Varsóvia desapareceu e a Otan ampliou sua influencia militar, incorporando novos membros, a maioria deles antigos aliados da extinta URSS.

Uma das características desse período  foi associar a influência mundial ao poder bélico, ou seja, quanto mais armas cada superpotência tivesse, maior seria o seu poder sobre os outros países. Sendo assim, a Ordem Bipolar foi marcada pela corrida armamentista, especialmente no campo da produção de arte fatos bélicos de natureza nuclear. Esse período foi caracterizado por um estado permanente de grande tensão no planeta, pois a eclosão de uma guerra nuclear entre as duas superpotências poderia significar o fim da espécie humana. O clima de tenção permanente entre o bloco capitalista – liderado pelos Estados Unidos – e o bloco socialista – liderado pela União Soviética – foi denominado de Gerra Fria. Esse termo demonstrava a existência de tensões e disputas de ordem bélica entre essas superpotências, no entanto, o equilíbrio de forças entre elas “esfriava” um possível ataque de um dos lados, temendo o revide por meio da utilização das armas nucleares.

 

 

*Leia o artigo sobre a Alemanha e o Muro de Berlin

https://www.saladeestudorio.com.br/dicas-do-professor/geografia/a-alemanha-e-o-muro-de-berlim/

Nos mapas observa-se a divisão da Alemanha Ocidental (RFA) e Oriental (RDA); 
a cidade de Berlin dividida em Ocidental (capitalista) e Oriental (socialista). 
A foto destaca a construção do Muro de Berlin.

 

 


 

3〉〉 BUSCA PELA PAZ


Ao longo do século XX, a palavra paz se tornou emblemática por praticamente todos os continentes, principalmente após a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918). Em muitos debates surgiram argumentos favoráveis à criação de um órgão que defendesse princípios pacíficos em âmbito universal.

Afim de alcançar esses objetivos foi criada, inicialmente em 1919, a Liga das Nações pelo Tratado de Paz de Versalhes. Entre as suas principais finalidades estavam: a defesa dos princípios de segurança coletiva, a intermediação de disputas internacionais, a redução dos armamentos e a negociação diplomática entre países.

Apesar de ter realizado um importante papel na reconstrução econômica do pés-guerra, a Liga tornou-se impotente frente ao expansionismo italiano, alemão e japonês, que potencializaram a ocorrência da Segunda Guerra Mundial.

A Liga, então, foi substituída por uma nova entidade, que começou a ser esboçada na conferencia de São Francisco, encontro internacional realizados entre abril e junho de 1945, que deliberou, ao concluir seus trabalhos, uma carta composta por cerca de 111 artigos que originaram a Organização das Nações Unidas (ONU).

A ONU passou a existir oficialmente em 24 de outubro de 1945, após a ratificação da carta pelos Estados Unidos, União Soviética, Reino Unido, China e França, maiores potências bélicas da época, que lutaram contra as potências do eixo (Alemanha, Itália e Japão), bem como pela maioria dos seus signatários, dentre os quais o Brasil. A nova instituição estabeleceu como principais objetivos defender a preservação da paz e da segurança mundial, estimular a cooperação internacional na área econômica, social, cultural e humanitária, buscando também o respeito as liberdades individuais, independentemente do sexo, etnia, crenças religiosas oi língua.

 

A ONU e o Conselho de Segurança

A ONU é composta por várias agencias especializadas, como a FAO (organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), OIT (Organização Internacional do Trabalho), AIEA (Agencia Internacional de Energia Atômica), OMS (Organização Mundial da Saúde), OMC (Organização Mundial do Comércio), entre outras.

Entre as várias comissões e organismos que compõe, merece destaque a Assembléia Geral (AGNU), constituía atualmente por 193 países-membros, em que toda e qualquer decisão é tomada por maioria de dois terços. Outro segmento importante no interior da ONU é o Conselho de Segurança, órgão cuja principal finalidade manter a paz e a segurança mundial. Sua força dentro da ONU é significativa, pois de acordo com a carta das Nações Unidas, os países-membros deverão sempre acatar as resoluções do Conselho, fato que não se repete com as demais comissões, que somente se limitam a fazer recomendações. O Conselho de Segurança é constituído poe 15 membros, 10 deles são eleitos pela assembléia, cumprindo um mandato de 2 anos. Após esse período, são substituídos por outros representantes. Os outros 5 países que compõem o Conselho têm cargos permanentes. São eles: China, Russia, França, Reino Unido e Estados Unidos, que tem direito a vetar qualquer decisão tomada pela assembléia.


 

4〉〉 NOVA ORDEM ECONÔMICA


 

Ao final da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos propuseram um projeto econômico que visava estabilizar as moedas nacionais prejudicadas pela guerra, gerando com isso maior segurança na economia mundial. Assim, foi realizada, em julho de 1944, a Conferência Monetária e Financeira das Nações Unidas, que, com o passar do tempo, ficou mais conhecida pelo nome da cidade norte-americana onde ocorreu – Bretton Woods.

Nesse período, os Estados Unidos se tornaram a maior potência econômica do planeta, apresentando um intenso crescimento industrial e uma forte acumulação de capital. O país não sofreu diretamente as destruições da Segunda Guerra Mundial, já que os combates não ocorreram no continente americano. Sua indústria produzia a pleno vapor, situação completamente oposta à das nações europeias e, do Japão, que estavam arrasados economicamente. Quando ocorreu a conferência de Bretton Woods, a economia norte-americana apresentava largas vantagens em relação aos outros países, contando com a maior parte da produção industrial, exportações e investimentos do mundo.

Nesse contexto, não foi difícil para os EUA convencerem outros países a aderirem ao seu plano, cujo principal objetivo era estruturar a economia mundial sem o perigo das constantes desvalorizações monetária que prejudicam as trocas comerciais internacionais.

Os 44 países participantes da conferencia de Bretton Woods concordaram com a criação de dois órgãos internacionais que auxiliariam e reorientariam a economia de países com dificuldades financeiras: Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento – Bird (International Bank for Reconstruction and Development, em inglês) e o Fundo Monetário Internacional – FMI. Além disso, cada país deveria adotar uma política monetária que mantivesse suas moedas estáveis, sem grandes desvalorizações. Outra particularidade dessa politica econômica foi a denominação padrão ouro-dólar, em que o governo norte-americano se comprometia a adquirir as reservas de ouro de qualquer país, trocando-as por dólares, fato que ajudou a tornar o dólar “a moeda do mundo”, utilizada em todas as transações comerciais internacionais.

 

 

Alguns anos depois, os EUA se empenharam na reconstrução econômica da Europa, que se encontrava arrasada pelas intensas batalhas da Segunda Guerra Mundial. O governo norte-americano lança em 1947 o Plano Marshall, um programa de investimentos e de recuperação econômica para os países europeus em crise. A ideia primordial desse plano era emprestar dólares as nações europeias que assim manteriam vínculos comerciais com os Estados Unidos, além de permanecerem ligados à estrutura capitalista, permanecendo distantes da influência do socialismo soviético. Observe no gráfico abaixo os países que receberam essa ajuda financeira.


 

5〉〉 O TERCEIRO MUNDO

 

A decadência política e econômica das antigas potências europeias se intensificou após a Segunda Guerra Mundial, resultando em um amplo processo de descolonização na África e na Ásia.

Por meio de acordos bilaterais ou por ações armadas, novas nações surgiram nesses continentes. No entanto, a independência política que conquistavam não era acompanhada de autonomia econômica. Em grande parde dos casos, elas ainda continuavam a se submeter financeiramente às suas ex-metrópoles, fornecendo matérias-primas a preços baixos e adquirindo bens manufaturando caros, gerando assim significativos déficits em suas balanças comerciais.

Com a intenção de modificar essa situação de vulnerabilidade econômica e de mostra que essas novas nações poderiam ter força política, ocorre, em 1955, a Conferência de Bandung (indonésia). Ali, os líderes de 24 países asiáticos e africanos delimitaram como diretriz política o seu “não alinhamento” a nenhuma das duas superpotências, tentando assim criar uma concepção ideológicas e geopolítica paralela ao chamado primeiro e segundo mundos (blocos capitalista e socialista e socialista, respectivamente).

O mapa a seguir revela a descolonização da África e da Ásia, com a identificação das nações de ambos os continentes, que conquistaram suas independências a partir da década de 1940.

 










〈 Os movimentos nacionalistas que eclodiram na África e na Ásia 
  culminaram no surgimento de uma centena de países, entre 1945 
  e 1990. A intenção de algumas dessas era criar uma terceira 
  força política, um terceiro mundo que fosse independente das 
  disputas entre os blocos capitalistas e socialistas 

 

No entanto, o que se vê ao longo das décadas seguintes é que as novas nações asiáticas e africanas, juntamente com diversos países da América Latina, continuam a apresentar sérios problemas em suas estruturas econômica, social e política, mantendo economias frágeis e dependentes. Muitos países do chamado Terceiro Mundo adquirem empréstimos em órgãos financeiros internacionais, como o FMI e o Banco Mundial. Além disso, muitos habitantes desses países continuavam a viver em péssimas condições sociais e econômicas. Com o tempo, o temo Terceiro Mundo mudou sua conotação política para se transformar em sinônimo de pobreza e miséria.


 

6〉〉 REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA

 

Durante a Guerra Fria, as disputas entre norte-americanos e soviéticos não se restringiram apenas na busca de maiores e melhores armas de destruição em massa. As potências também foram protagonistas da chamada “corrida espacial”, lançando satélites artificiais e enviando ao espaço naves tripuladas por astronautas que culminaram com a chegada do homem à Lua na década de 1960.

 

O desenvolvimento do satélites artificiais potencializou uma grande evolução nos meios de comunicação em escala global, possibilitando que fatos de qualquer natureza possam ser transmitidos instantaneamente para qualquer lugar do planeta . Paralelamente, ocorria uma grande evolução nos meios de transporte, facilitando o deslocamento de mercadorias e pessoas pelo mundo.

Esse processo de desenvolvimento tecnológico intensificou-se a partir da década de 1970, passando a ser denominado como Revolução Técnico-Científico-Informacional ou Terceira Revolução Industrial. Além dos setores de telecomunicações e do transporte, essa revolução é marcada pelo desenvolvimento da indústria da informática, com o seguimento dos programas de computadores e o desenvolvimento de técnicas de armazenamento de processamento de informações por meio de redes de transmissão utilizando fibras ópticas. Assim, diferentes informações são transmitidas em velocidades inimagináveis décadas atrás, facilitando, por exemplo, a integração entre mercados financeiros.

 


 

7〉〉 FIM DA GUERRA FRIA

 

Desde meados da década de 1970, a União Soviética apresentava grandes dificuldades econômicas, decorrente, entre outros aspectos, dos elevados gastos militares. Na década seguinte, quando

Mikhail Gorbatchev assumiu o poder da URSS, iniciou-se um governo caracterizado por transformações políticas e econômicas. Gorbatchev lança a glasnost e a perestroika, palavras russas que significam, respectivamente, transparência e reestruturação. Ou seja, a pretensão de seu governo era iniciar uma abertura política, permitindo um maior diálogo entre a população e o governo, ao mesmo tempo em que realizava uma reestruturação econômica, ampliando as possibilidades de produção russa.

A União soviética era marcada por uma economia estagnada, principalmente na produções de bens de consumo que exigem alta tecnologia. As reformas iniciadas por Gorbatchev visavam levar a União Soviética a uma abertura da economia para o livre-mercado, inclusive com a participação do capital estrangeiro, buscando modernizar o sistema produtivo. Também era de sei interesse inserir a economia soviética no mundo financeiro internacional, através da participação em entidades como o FMI. Além disso, seu governo adota uma política de dimensão militar, com propostas concretas de armazenamento, gerando uma nova situação no contexto da Guerra Fria.

Essa última medida permitiu que os países do Leste Europeu, fortemente influenciados pelos soviéticos, buscassem novas experiências políticas e econômicas, fora da esfera socialista. Dessa forma, os governos socialistas dos países europeus não conseguem se sustentar no poder e rapidamente são substituídas por governos, em sua grande maioria, com postura política e social-democrata. Nessa transição ocorre a queda do muro de Berlin, simbolizando toda a transição política que os países dessa regiam realizavam , também permitindo que as duas Alemanhas promovessem um diálogo político que culminou em sua reunificação.

O cenário de mudanças no Leste Europeu atinge também a União Soviética. Uma onda de independência invade suas repúblicas, culminando com sua extinção em 1991. Todas as antigas repúblicas que formavam a União Soviética tornam-se independentes, optando pelo sistema capitalista. Assim surgiram 15 novos países no mundo, alguns no continente europeu e outros no asiático. Observe o mapa a seguir

 


 

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